Temos de ser mais claros

Hoje em dia, no mundo online, fala-se muito de UI/UX, experiencia do usuário e muito tem a ver com os marketers. Não digo para ignorarmos o design ou o trabalho dos designers mas convém sempre os orientarmos para o objetivo. Podemos ter um design do produto, websites, banners, campanha como o melhor design do mundo mas temos de manter o foco no que queremos comunicar e mais o importante o que queremos que as pessoas façam ao serem presenciadas com o mesmo.
O attention span (Limiar de atenção) tem vindo a diminuir cada vez mais necessitamos de uma forma de passar uma mensagem clara e definitiva. A clareza e objetividade de uma mensagem pode ter um peso essencial no que queremos que o utilizador/cliente/pessoa faça – o objetivo que queremos que os nosso clientes atinjam.

Quando lia um estudo citado no The Person Situation (Ross e E. Nisbett, 2011) revi em tudo o ponto a que me refiro a cima e o qual defendo com unhas e dentes.

O Estudo

Passo 1
No estudo, um certo número de estudantes são identificados como pertencentes em dois grupos. Um grupo identificado e separado por serem os que terão uma menor probabilidade de angariar/oferecer comida para um banco alimentar e o segundo grupo como os que mais probabilidade teriam de oferecer/angariar comida para um banco alimentar. A adicionar que os grupos foram ambos formados pela classificação dos outros colegas estudantes e não tinham conhecimento sobre a que grupo pertenciam.

Passo 2
Depois de identificados os grupos, foi-lhes enviado uma carta a pedir para fazerem uma doação ao banco alimentar. A metade de cada grupo – metade do grupo com mais probabilidade de doação e metade do grupo com menos probabilidade de doação –  foi enviada uma carta generalizada – sem instruções ou personalização – a pedir uma doação. Às duas restantes metades de cada grupo foram enviadas cartas altamente especificas com exatamente o que podiam doar, onde o poderiam fazer, um mapa como lá chegarem e os estudantes eram identificados e ainda tiveram direito a um telefonema para lhes relembrar da doação.

O que pensam que teve mais peso? O conteúdo das cartas ou a pré-disposição/personalidade dos estudantes? A especificação ajudou as pessoas a alcançarem o objetivo?

Resultados
Na metade do grupo com menos probabilidade de doar que receberam uma carta não personalizada e genérica, uns impressionantes 0% dos participantes doaram. A outra metade dos participantes que recebeu a mesma carta – metade dos que tinham mais probabilidade de doar com uma carta sem instruções ou personalização – também não surpreendeu muito com 8% de doações deste grupo. Contudo, os que receberam a carta personalizada e instruções na metade do grupo com menos probabilidade de doação, 25% fizeram uma doação. 

A comunicação especifica no marketing digital
É certo que neste estudo não identificamos só o ponto a que me refiro – quanto à clareza de uma mensagem. Mesmo assim, esta foi uma das condutoras que leva ao sucesso deste estudo e disso não há dúvida. É fácil, se querem que compre um produto e não sei onde o posso comprar, ou como o fazer, a probabilidade de compra será sempre menor do que se souber onde, ou como, o fazer. 

Que a comunicação é importante para mover as pessoas não é algo novo para os marketers. Mas a especificidade e a clareza é algo que parece estar muitas vezes esquecido na comunicação. A culpa não é nossa, um dos problemas que muita vezes identifico é exatamente o oposto. Estarmos muito em cima do trabalho, muito dentro do meio, por vezes falta-nos a perspectiva do nosso consumidor.
Temos que ser mais específicos no que queremos que o cliente faça, porque como podem concluir do estudo, não é a pré-definição/pré-disposição ou labels que definem se passamos as pessoas como nossos clientes ou não. Somos nós com a nossa mensagem – clara – que o fazemos.

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